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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Povo assim, os corruptos adoram

Dois episódios nos tempos do Orkut me inspiraram a escrever esse texto. Mesmo que não estejam diretamente ligados ao assunto deste tópico, me ajudaram a pensar a respeito.

Um é a polêmica dos busólogos que passaram a defender a padronização visual dos ônibus do RJ e os problemas que vieram junto (que os mesmos ainda insistem em dizer que não existem).

Outro é um tópico da comunidade "Eu odeio a seleção brasileira", que define como idiota quem torce pela seleção da Argentina. Apesar de não gostar de futebol e de reprovar de uma certa forma o fanatismo do futebol argentino, se percebermos bem, o fanatismo deles não é tão alienado como o nosso, pois além do futebol ser tratado como mero esporte - aqui o futebol tem uma importância exagerada para as características que possui - , o povo de lá se rebela contra os abusos das autoridades. Aqui, chegam a beijar os pés de algum político abusado.

O brasileiro é tradicionalmente um povo medroso e submisso. O povo bravo do Hino Nacional, que "não foge a luta" existe só na letra. Na verdade o povo brasileiro até se sente confortável com o cenário atual, com paliativos disfarçados de "soluções definitivas" e deslumbrado com o crescimento da indústria do entretenimento no país. Viramos a potência da diversão mundial e isso parece satisfazer a população.

Já em qualidade de vida, ainda estamos entre os piores. Basta colocar os problemas debaixo do tapete ou tentar "resolvê-lo" com paliativos como bolsas disto e daquilo ou esmolões como o "Criança Esperança". Resolver de maneira concreta os problemas exige esforço e risco e a população não está preocupada em enfrentá-los para uma melhoria definitiva. Se não dá para resolver um problema, o jeito é fugir para as drogas licitas ou não ou para a farra das noitadas e do futebol. Fuga, fuga, fuga, essa é a ordem.

E isso agrada muito a autoridades e grandes empresários. Desde os anos noventa, esse aspecto tem ajudado a atrair a atenção de vários grandes empresários estrangeiros. Um deles, que obviamente não se identificou, foi enfático: "quero investir no país porque o povo daqui é obediente e a mão de obra é barata". É o preço que o povo tem que pagar por ser tão alienado e conformista.

E as autoridades, sobretudo as corruptas, se beneficiam desse cenário, pois ficam livres da ameaça de revolta popular. A população se limita a reclamar pelas costas, mas aquela "reclamação" que já é permitida pela grande mídia, muitas vezes não levada a sério pelos alvos dessa reclamação e incapaz de romper a "impermeabilidade" desse políticos, que permanecem impunes.

Infelizmente, não tenho orgulho de viver nesse país. Parece que para muitos, os problemas existentes já fazem parte de nossa nação. Como se integrassem o nosso folclore. E isso contribuí ainda mais para que eles permaneçam.

Mas não faz mal. Se a situação se complicar, vai todo mundo correndo se esconder em um estádio de futebol ou em alguma boate e se alucinar com alguma cerveja. Até que o velho problema não resolvido volte para lembrar os brasileiros de que ainda continua vivo, sadio e atuante.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Ditadores pseudo-democráticos

A lei nos diz que o Brasil é uma democracia. O Brasil todo, não. Pelo menos no Rio de Janeiro, a democracia parece não ter chegado. Por causa dessa irresponsabilidade chamada "copa do mundo de futebol", o governador Sérgio Cabral Filho e o prefeito Eduardo Paes e seus aliados políticos, passam por cima dos interesses da população sem medir consequências e respeitar seus direitos. 

Para eles, tudo é decidido por cima, na marra. São capazes até mesmo de atropelar a Constituição Federal, a lei máxima do país, que protege muitos direitos da população, para satisfazer os interesses particulares da cúpula governamental do Estado.

Muitos episódios mostram a truculência dessa dupla que se acha dona da verdade, conhecedora dos segredos mundiais e por isso, pensa que pode decidir tudo sem consultar o interesses daqueles que os colocaram no poder.

Pra começar, para as obras da copa, passavam por cima de tudo, residências, reservas florestais, monumentos históricos, entre outras as coisas. Impuseram que mais de 45 empresas de ônibus usassem uma mesma pintura, confundindo usuários e favorecendo a crescente redução de qualidade do transporte carioca, visivelmente observada na má conservação da frota e nos já rotineiros acidentes que nunca param de acontecer.

Mas o cúmulo aconteceu durante as obras de reforma do Maracanã (já foi um erro optar por reformá-lo, ao invés de construir um Estádio totalmente novo, como fizeram em Salvador, com menos custos e mais rapidez), já que uma escola, uma instituição indígena e até mesmo o anexo poliesportivo Célio de Barros serão derrubados para a ampliação do estacionamento. Estacionamento? Isso não estimula a utilização de automóveis? Que projeto de mobilidade urbana é esse?

Argumentam os irresponsáveis que isso tudo faz parte das exigências da FIFA. Mas no caso da escola e da instituição indígena isso não procede. A FIFA incluiu em suas exigências a manutenção de escolas e de instituições compromissadas coma preservação cultural da sociedade, o que inclui a Casa do Índio. Mas as autoridades fecharam seus ouvidos e mantém a derrubada, como mulas que se recusam a sair do lugar.

Resta saber que legado é esse que ficará após a copa, se explicitamente as autoridades observam essa copa (e também  a olimpíada) como fins únicos, ignorando tudo que passa longe de tais eventos. Dá para perceber que teremos ruínas em 2017, como fizeram com o PAN que aconteceu anos atrás no RJ.

E como a corda arrebenta para o lado do mais fraco, quem sairá perdendo é a população. Como sempre acontece, todos os anos.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Premiação de pintura e uma discussão sobre padronização

OBS: A colocação de farda nas frotas de ônibus é uma medida inútil que só serve para fazer propaganda de prefeituras e para confundir usuários e entediar busólogos. Como algo que não tem utilidade possa ser tão defendido pelas autoridades como se fosse um modismo? "Se todos adotam, vou adotar também", pensam os prefeitos que dotam essa medida.

Bazani tem visibilidade e razão para questionar a padronização visual e mostra neste texto a importância da identificação das empresas. Esconder a identificação de empresas é ir contra a natureza de concessão que caracteriza o serviço de transporte e impor uma encampação enrustida que faz todos pensarem que as frotas pertencem à prefeitura, numa CTCização bem cafajeste que tem causado muitos problemas e favorecendo a corrupção e a impunidade de empresas mal administradas.

Em tempo: discordo da premiação da pintura nova da Catarinense. Como uma estampa escolhida na má vontade e sem criatividade nenhuma, possa ser considerada uma das melhores? Há gosto pra tudo.

Premiação de pintura e uma discussão sobre padronização

Publicado em  blogpontodeonibus - Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

Em época de padronização de pinturas de ônibus urbanos quando em boa parte dos sistemas, a identidade visual da companhia que era uma forma também de relacionamento com a população acabou dando lugar para designs pouco criativos e que parecem ter mais o objetivo de promover partidos políticos e administrações públicas, se destacar com layout tem se tornado uma verdadeira conquista.

E uma das mais conceituadas premiações de pintura, o Concurso de Comunicação Visual e Pintura de Frotas, que está em sua 44ª edição, com promoção da OTM Editora, teve como vencedora na categoria Transporte Urbano de Passageiros uma empresa que opera em área onde há padronização, na Grande São Paulo.

A Metra, operadora de ônibus diesel, veículos elétricos híbridos e trólebus no corredor ABD, que liga as zonas Sul e Leste da cidade de São Paulo por municípios do ABC Paulista, conseguiu o primeiro lugar da categoria com a pintura nas cores predominantes verde e branco.

A pintura caracteriza boa parte dos trólebus e ônibus híbridos e faz alusão à sustentabilidade pelo fato de estes veículos emitirem baixos índices de poluição.

A ideia da pintura nasceu na própria Metra e teve autorização da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, gerenciadora dos sistemas de ônibus metropolitanos na Grande São Paulo, Baixada Santista e região de Campinas.

A pintura também se relaciona a outro programa ambiental da empresa, o Corredor Verde, que já foi responsável pelo plantio de cerca de 5 mil árvores ao longo das canaletas de ônibus operadas pela Metra.

Além das cores verde e branca, há ilustrações de pássaros e flores, o que mostra a intenção de exaltar a necessidade de preservar a natureza para um mundo melhor de se viver e também mais bonito de se ver.

O mérito da empresa foi que, além de passar essa mensagem, ela conseguiu ter uma identidade própria nos veículos sem romper de vez com a padronização imposta pelo poder público.
As faixas e ângulos do desenho seguem o esquema da pintura oficial.

O exemplo da Metra pode mostrar que é possível o poder público imprimir uma marca da região ou mesmo da gestão sem deixar que as empresas percam sua identidade. Assim, se houvesse mais flexibilidade nas pinturas de ônibus, as empresas que operam bons serviços ganhariam por não serem confundidas com companhias cuja qualidade é inferior e a população acima de todos teria benefícios, pois identificaria melhor o ônibus que vai atender ao destino e teria garantido o direito de saber qual empresa a está servindo.
Hoje em dia, muitas pessoas pensam que os ônibus são da EMTU ou das prefeituras e gestoras, sendo que pertencem a empresas particulares cujos sistemas são gerenciados por estes órgãos.

Além disso, para a boa empresa de ônibus não há um nivelamento por baixo. Por exemplo, não parece justo companhias metropolitanos com serviços satisfatórios, como Rigras, Auto Viação ABC, Urubupungá, serem visualmente identificadas pela população da mesma forma que empresas problemáticas como EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André e Viação Ribeirão Pires, que são marcadas por reclamações constantes dos passageiros e recebem notas abaixo da média em avaliações como o IQT – Índice de Qualidade do Transporte, da própria EMTU.

Já em relação aos ônibus rodoviários, intermunicipais ou interestaduais, a flexibilidade para as empresas já é maior.

Na categoria Transporte Rodoviário de Passageiros, a empresa vencedora do 44º Concurso de Comunicação Visual e Pintura de Frotas foi a Auto Viação Catarinense.

A empresa de ônibus que opera nas regiões Sul e Sudeste do País e pertence ao grupo JCA, que detém outras empresas como 1001 e Viação Cometa, mudou recentemente seu layout. A companhia deixou as tradicionais faixas azul e vermelha estampadas na lataria pintada de branco para um visual diferente com as letras que formam a palavra Catarinense estampando praticamente toda dimensão lateral do veículo.

A mudança de pintura dividiu opiniões pelo fato de o design anterior ser uma das marcas da companhia.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"Ônibus? Não sei o que é! Não ando nele!"



Todos estão carecas de saber que quem dita as regras do transporte público são justamente quem não usa com frequência os mesmos transportes. Por isso que os transportes representam um setor que há séculos sempre demonstra muitas falhas que não são realmente resolvidas.

Para tentar acalmar os usuários - ou talvez iludí-los - foi criado o modismo da "Mobilidade Urbana", nome pomposo dado a uma série de medidas que são claramente inspiradas no modelo lançado em 1974 pelo político e arquiteto Jaime Lerner, que já mostrou, do contrário que muitos pensam, que não é um sistema perfeito e nem universal, cabendo a cada prefeito escolher um modelo que respeitar as características de cada cidade.

Mas como no Brasil, é hábito colocar paliativos no lugar de soluções definitivas e dar muita ênfase ao aspecto visual (é evidente que a música, por exemplo, faz mais sucesso entre os brasileiros pelo apelo visual do que pelas canções em si - o falecido Michael Jackson que o diga).

E por causa desse aspecto visual, dá-lhe estações bonitas, ônibus compridos, vias elegantes, verdadeiras passarelas que levam o belíssimo sistema para lugar nenhum. Não que o sistema fosse ruim, mas ele não pode ser visto como uma solução em si. Vários fatores deveriam ser analisados - que não o farei aqui, pois não é a proposta dessa postagem).

Aí ficou fácil para as autoridades posarem de "heróis" do sistema de transporte, com os belos "minhocões" deixando todos de queixo caído, vias - cujas obras já surgem com polêmicas, por derrubarem residências, algumas reservas florestais, inclusive - que embelezam as avenidas, deixando-as com cara de cenário de road movie americano. Uma beleza.

Mas e o sistema como um todo? Todo o novo sistema do Rio já está um fiasco. Nem os BRSs conseguiram melhorá-lo, dando apenas uma aparência de moderno que só os que não utilizam o transporte coletivo têm condições de aplaudir. Em outras capitais que já utilizam sistema semelhante, as falhas se estendem a denúncias de corrupção e favorecimentos ilícitos, além de falcatruas facilitadas pela não-identificação de empresas - motivo de muito escândalo em Brasília, capital do país, onde a padronização visual favoreceu até a pirataria.

Os defensores do sistema argumentam que as críticas vem de gente "infantil" e "irritada com o fim da diversidade visual" dos ônibus, como se este fosse o único problema no sistema atual de ônibus nas capitais brasileiras.

Eles é que estão por fora, pois os defeitos, que são muitos, não possuem grande visibilidade para quem, como eles, não utiliza o sistema, enxergando maravilhas que só possam ser vistas por binóculo. Como se a existência de micróbios num ambiente aparentemente limpo não pudesse justificar a existência de sujeiras e doenças neste ambiente.

Aqueles que não utilizam o transporte têm o dever de ficarem calados e pararem de puxar o saco das autoridades que, igualmente não utilizam o transporte que administram. Se não derem razão aos usuários, que sofrem pelos defeitos cotidianos que aumentam cada dia, nunca saberão os reais problemas que as autoridades insistem em não resolver.

E não conte com as "minhoconas" para resolvê-los. Talvez as coisas piorem ainda mais.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

TV em ônibus é a maior palhaçada

O brasileiro é viciado em TV. Não consegue viver sem a sua caixinha hipnotizadora. A TV é a maior responsável pelo péssimo nível baixíssimo da intelectualidade de nosso povo, cada vez menos acostumado a pensar. E quando pensa, pensa errado.

E como para as autoridades, é sempre bom manter o povo bem alienado, decidiram colocar aparelhos de TV em ônibus, com o pretexto de criar uma "distração" para os passageiros. Distração? Para mim, "TV de ônibus" é a janela e não faltam coisas para se ver durante as viagens.

Muitos defensores da ideia já deixam bem clara a mentalidade tosca e limitada de quem ainda vive se iludindo com as escassas e idiotizantes opções de lazer que as autoridades oferecem a quem tem pouco dinheiro. Consequências da lavagem cerebral da "máquina de lavar cérebros".

Já basta que de bares a salas de espera de hospitais, temos que aguentar a - desnecessária, onerosa, mas obrigatória - instalação desses aparelhos, com as inutilidades que aparecem nas telas que irritam a paciência de qualquer pessoa com algum nível satisfatório de quociente de inteligência.

Quando entro nos ônibus com TV dá até uma sensação de mal estar, pois para quem gosta de sossego não pode curtir a viagem em paz com uma TV ligada. Quem gosta de TV, que compre uma portátil ou prepare seu celular para receber sinais de TV e assista com fone de ouvido, em suas cadeiras.

Instalar aparelhos de TV em ônibus é desrespeitar quem precisa de algum sossego durante o deslocamento para o destino desejado.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Acreditar que "benefícios" da copa serão "eternos" é o mesmo que confiar em autoridades corruptas

Uma onda de otimismo exagerado tomou conta do país por causa dessa copa desnecessária. O Brasil virou a meca do entretenimento e por isso os gastos com diversão viraram prioridades, mesmo com os problemas típicos de terceiro mundo ainda mantidos.

E com isso, muita gente se alegra com as obras de mobilidade urbana que serão feitas por causa do evento. Há uma polêmica, já que muitos dizem que não estão sendo feitas por causa da copa, mas ao memo tempo que provam que estão. Se estas obras não são para a copa, porque precisam desse evento para serem feitas? E porque os projetos priorizam trajetos que estão diretamente ligados ao evento?

Quem pensam que querem enganar? Tá na cara que estas obras estão sendo feitas para a copa. Mas aí eu pergunto, porque não cancelar essa copa e simplesmente concluir as obras. Os alienados vão argumentar que somente com a copa é que estas obras poderão ser construídas. Falta de raciocínio lógico adequado.

Das duas uma: Ou essas obras são para a copa e dependem dela para serem feitas, ou são para a população, podendo cancelar o evento e continuar tranquilamente. Para mim, apesar dessas obras não dependerem de copa para serem feitas - ao menos que queiram jogar uma pelada numa estação de BRT - é por causa desses eventos que elas estão sendo feitas, com a única finalidade de promover os políticos responsáveis diante de uma demanda estrangeira - que não será tão grande assim - e mostrarem uma fachada primeiro-mundista de nosso país, numa tentativa de esconder ainda mais os problemas crônicos , que aliás não serão resolvidos com os BRTs. Ou os enormes ônibus articulados vão tirar dinheiro dos ricos para dar aos pobres. Melhorias para mim, só se houver um Robin Hood no Brasil. Só ele salva.

De repente, todos começaram a confiar em políticos corruptos

E pelo jeito o plano desses políticos não só está ajudando a promover a imagem diante do mundo como diante dos brasileiros também. De uma hora para a outra, a população começou a confiar nos políticos, normalmente corruptos, na conclusão e manutenção dessas obras. Vários acreditam que elas estão sendo feitas para a população, quando a realidade mostra que não é bem assim.

Mesmo que permaneçam, essas obras de mobilidade urbana irão perder a eficiência com o encerrar dos grandes eventos. Não é tradição de nossos políticos fazer algo que agrade a população. Com o tempo, os enormes articulados vão se mostrar grandes "elefantes brancos" que não ajudarão a reduzir os automóveis - simbolo de status para muita gente ainda - e muito menos resolverão os problemas de trânsito das cidades onde estarão instaladas.

Com o tempo, os articulados irão apodrecer com a má conservação e se mostrarão caros, podendo ser substituídos a longo prazo por ônibus menores e muito mais baratos de se conservar. Para os fanáticos por articulados, isso parece um pesadelo, mas experiências passadas mostram que são grandes as chaces disso acontecer. Até mesmo em Curitiba, que antes desse modismo da mobilidade estava comprando mais ônibus convencionais de motorização dianteira, só aderiu aos belos Megas BRT por causa desse mesmo modismo. Quando a festinha acabar, voltamos aos velhos "cabritos" também na capital paranaense. Para quem não sabe, já se fala na extinção dios biarticulados, com a conclusão das obras do metrô curitibano. É aguardar para ver.

Muitos problemas, muitas cidades, mas uma só solução

Outra coisa a observar é que todas as cidades estão usando uma só solução para o transporte, inspirados no BRT de Curitiba. Parece que toda cidade resolveu brincar de "Mamãe eu sou Curitiba". Até a apertadíssima São Gonçalo, resolveu aderir ao modismo. Todas se esquecendo de que colocar articulados em vias exclusivas não é a única solução para o transporte e que apesar de ser mitologicamente considerado perfeito, também possui desvantagens, como veículos grandes demais e a longa distância entre os pontos de ônibus e o destino de muitos passageiros, já que os BRTs não rodam em todas as ruas.

O brasileiro tem tradição modista. Adora modismos, que pagam aqui com muita rapidez. E os modismos duram, como o secular modismo do futebol que atrai gerações e gerações e que faz todo mundo ficar feliz em sediar o seu esporte "preferido", em muitos casos, colocando acima de interesses mais sérios e necessários. Divertir virou a palavra de ordem. Divertir ficou mais importante que do que viver.

E justamente essa mentalidade de diversão e fascínio pelo espetáculo que faz todos babarem pelos enormes articulados que irão circular nas vias exclusivas. Uma admiração claramente subjetiva, apaixonada, ao mesmo tempo irresponsável. Não adianta argumentar que a defesa dos BRTs visa o bem estar de seus usuários. Isso não convence quem sabe que cada caso é um caso e que muita coisa tem que ser feita para melhorara mobilidade urbana, que colocar articulados, além de ser apenas um detalhe desse projeto de mobilidade, ele não serve para qualquer localidade.

Defender essas obras como única solução do transporte e ignorar as suas consequências negativas, seja a sua inadequação, seja o descaso em sua conservação após os eventos, é na verdade aderir a um espetáculo miraculoso proposto pelas corruptas autoridades, muito mais interessadas em ganhar dinheiro enganando a população, do que oferecer um serviço de qualidade que possa causar um bem estar à mesma.

Acordem, população, isso é Brasil. Milagres não existem. E segurem as suas carteiras! Tem gatuno por perto!

domingo, 27 de março de 2011

Eduardo Paes prefere "temperar comida" com remédio

Eduardo Paes disse em entrevista no rádio, que a diversidade de pinturas dos ônibus, um dos símbolos da Cidade - outrora - Maravilhosa, lembra a pintura de azeite português (no sentido pejorativo). Busólogos e a comunidade portuguesa se irritaram com a declaração.

Paes, pelo jeito deve adorar as embalagens de remédio, sobretudo os do laboratório Boehringer Ingelheim, que inspiraram a estética adotada compulsivamente para a frota municipal carioca.

Eu mesmo sou um apreciador do delicioso azeite português. Quando coloco gotas de azeite português em minha comida, chega a abrir o apetite de tão gostosa que fica a comida temperada desta forma. Ah, saudações ao simpaticíssimo povo português, injustamente alvo incessante de piadas maldosas. Essa de Paes foi mais uma que deixou os portugueses irritados, com muita razão.

Daqui a pouco veremos todas as casas da Lapa sendo pintadas com a insossa cor-de remédio, iniciando uma padronização dos prédios cariocas.

Vejam o que ele mandou fazer quando percebeu que havia duas garrafas de azeite português durante um jantar oferecido por ele:



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Os rumos da padronização visual carioca



Mostramos agora, em primeira mão, a foto do novo ônibus da frota padronizada carioca devidamente pintada e já com a sua nova linha devidamente creditada.

A empresa ninguém sabe. Dizem que é uma tal de Fudidos Embrominense. Mas não dá para perceber por causa da pintura, que é igualzinha as de outras empresas. O consórcio é o Interbosta, que serve as áreas de Merda, Raio que o Parta, PQP, Fundo do Poço e Direto pro Ralo. A linha em questão é a "666 não chateia" que liga Lugar Nenhum (da área Intercú) a Fundo do Poço, passando pelo Raio que o Parta.

É uma linha com destino interessante, certamente para onde irá esse sistema monocórdico e corrupto do novo sistema de ônibus do Rio. A pintura é uma só, mas as caras são muitas...

A Família Paes



Pelo jeito, o prefeito malucaço ficou empolgado com a padronização visual dos ônibus cariocas e resolveu padronizar também a sua família. De hoje em diante, todos os membros tem a cara dele. para isso todos correram para o bisturi, para se transformarem em sósias do prestigiado membro patriarcal.

Diversidade visual, segundo Paes, polui muito. Humpf!

sábado, 18 de setembro de 2010

Eduardo Paes diz que pintura padronizada tem "ganho estético"

Os tecnocratas são mesmo uns alienados. Não andam de ônibus e nem admiram esse meio de transporte. E ainda ofendem.

A diversidade de pinturas, que era uma marca registrada no Rio de Janeiro, é vista por esses verdadeiros robôs como uma"poluição visual" e que o Rio terá "ganho estético" em seus ônibus. Ganho estético? Pelo que eu vi pelo protótipo mostrado ontem, só se o José Serra for considerado o homem mais lindo do Brasil.

Nem tudo que acontece nos países evoluídos deve ser visto como qualidade. Nos países evoluídos, o ônibus é coadjuvante do transporte. Lá, trens, bondes, navios são mais utilizados. Por isso a preocupação estética com a pintura de ônibus é mínima.

Mas lugares "atrasados" como o Rio, mostram que também podem dar lições a lugares desenvolvidos. A diversidade de pinturas demonstrou bem sucedida até hoje, admirada por muitos. Paes mexeu em time que estava ganhando, rumo a uma derrota vertiginosa. Foi elitista e alienado em definir a diversidade de pinturas como "poluição", além de definir a albinização anêmica de seu protótipo como "ganho estético". Francamente, Sr. Paes!

Pode se falar em poluição visual dos ónibus da capital argentina. A Argentina é o país onde tem os ônibus mais feios do mundo, com total ausência de senso estético tanto nas pinturas como nas carrocerias. Lá sim, pode se falar em poluição visual.

Coisa que não acontecia no Rio, uma verdadeira aula de design gráfico nos ônibus copiadas por estados que não aderiram a padronização, como a surpreendente frota de Natal, no Rio Grande do Norte, além de Recife, Maceió e Florianópolis, esta última desistiu da padronização que tinha nos anos 80.

Paes agora entrou na lista negra dos busólogos e demonstrou além de elitismo, total falta de conhecimento em design e da funcionalidade das pinturas. Especialistas em design reprovaram a nova pintura padronizada, de difícil reconhecimento e total ausência de beleza. Belo Horizonte e Vitória possuem pinturas padronizadas muito mais bonitas. A de São Paulo é um horror. A de Curitiba então, basta mergulhar os veículos num gigantesco balde de tinta que já estão pintados.

Paes tomou a decisão na surdina, omitiu a padronização do edital e se comportou como um ditador, sem ouvir opinião de especialistas em design, em transporte, usuários e busólogos. Ignorou todos e partiu para a solução anti-democrática.

A padronização de pinturas inclusiva vai dificultar a identificação das empresas, favorecendo irregularidades, coisa que pode acontecer se lembrarmos que os "vencedores" da "licitação" (sei muito bem o que é e como funciona - estou me preparando para concurso) são as mesmas velhas caras que atuam há anos, algumas com nomes modificados - fato que cheira muito a trambiques.

Resta dizer que como fã de ônibus e cidadão estou muito triste com essa padronização e com a mentalidade de "troglodita metido a intelectual" que demonstrou em seus argumentos.

Ele e sua cambada de gatos pingados tecnocratas, com mentalidade e sensibilidade de robôs, que vão curtir sozinhos o seu "ganho estético". Pois a grande maioria de busólogos e usuários reprova solenemente essa padonização.

O novo ônibus que serviu de protótipo para a nova pintura já chegou levando estrondosas vaias. Pode até circular, mas não peça aplausos. E vou vaiar com muito orgulho essa atrocidade que fizeram com o transporte carioca, acabando com uma de suas melhores qualidades.