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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A decadência do transporte carioca

Infelizmente, os fatos desmentem a crença. Embora todos fiquem felizes com os belos cavalos de troia a se mostrar no transporte da região metropolitana do Rio de Janeiro, sobretudo o da capital, o que se deve aceitar é que houve, desde 2010, uma rápida queda de qualidade no sistema de ônibus da região.

Esqueçam articulados, BRTs, ônibus com ar condicionado, cortininha, modernos elevadores para cadeirantes, ônibus executivos em linhas curtas, etc.. Isso é pompa. A qualidade do transporte não conseguiu seguir o glamour defendido nas propagandas. 

A colocação do nome da prefeitura em 50 empresas municipais não serviu para demonstrar austeridade, servindo mais para que empresas relaxassem, já que não detinham mais do direito de mostrar as suas marcas registradas em suas pinturas, hoje meras propagandas políticas prensadas nas latarias dos ônibus. E o povo segue sem o direito de saber quem opera em sua cidade, num sistema que faz licitação para depois esconder as empresas vencedoras.

O fracasso de um sistema que muda o tempo todo, pinturas, trajetos, números, pontos, etc., serve para mostrar a clara incompetência das autoridades incapazes de cumprir a gestão dos transportes. O sistema de ônibus é controlado por quem não utiliza e não conhece o sistema. 

Por isso mesmo, desde 2010, com a imposição da propaganda política na lataria dos ônibus através da logomarca da prefeitura descaracterizando mais de 50 empresas operadoras, só houve pioras. Ônibus menos conservador, serviço mal feito, fim dos cobradores (demitidos em "prol do progresso tecnológico") e colocação de motoristas em condições de trabalho sub-humanas. 

Estes e mais outros detalhes que marcam o transporte no Rio de Janeiro, cada vez mais ficados na satisfação de empresários, políticos e busólogos em detrimento ao de funcionários e usuários, sempre desprezados por quem gerencia o transporte no Rio de Janeiro.

Não sabemos o que acontecerá com o transporte caso venha uma nova gestão. Estamos em épocas de eleições municipais e políticos adoram usar ônibus como propagandas de suas gestões. É fácil colocar seus nomes e identidades nos veículos. Difícil é melhorar de fato o transporte e usar essas melhorias como prova de uma boa gestão de transportes, o que seria a verdadeira propaganda de uma boa gestão.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O ônibus que envergonha a humanidade

Hoje de manha, entramos no Ônibus Brasil e vimos este ônibus como "foto da hora". Ficamos muito tristes. É o ônibus que nunca deveria sequer estar no Ônibus Brasil. Um ônibus cujo único destino é a desgraça da humanidade. Pois a verdade por trás desse ônibus é muito triste para qualquer um que tenha um pouco de altruísmo.

Este ônibus é administrado por um grupo secretamente legado a uma nova forma de Fascismo. Para quem não sabe Fascismo é uma ideologia política anti-humanitária, com base na intolerância, que elege uma classe como única merecedora de bem estar e dignidade e que pretende exterminar os que não se encaixam nos seus perfis impostos por suas lideranças. 

Mussolini foi a mais famosa liderança fascista que se conheceu. O Nazismo foi a forma mais famosa de Fascismo, mas existiram vários tipos. Há quem considere o pseudo-comunismo de Stalin uma forma de Fascismo.

No Brasil tivemos o Integralismo de Plínio Salgado, que usava a sigma como símbolo e o grito de "Anauê" ("meu amigo" em dialeto indígena) como lema. É costume de fascistas fingir bondade e defender valores nobres de forma hipócrita como armadilha para angariar simpatia e atrair suas vítimas. Fascistas costumam se auto-rotular de "homens de bem". Como se eliminar discordantes fosse um "sinal de bondade".

Não conheço qual e como é a nova linha de Fascismo dos que administram este ônibus. Mas é confirmado por fontes seguras o fato de que pertence a uma entidade fascista. As decepções com os governos petistas (cujos erros eram consequência alianças com grupos conservadores que sabotaram os governos) fez com que grupos extremistas, antes na clandestinidade, se sentissem com coragem de mostrar a sua cara e usar a força para impor seu modo de pensar.

Este ônibus abaixo é uma vergonha para o nosso país, já bem fragilizado democraticamente. Ninguém deveria admirar qualquer coisa que venha de um grupo intolerante e interessado em exterminar boa parte da humanidade para que benefícios se tornem sua exclusividade.

Se a ditadura que se inicia não teve tanques aparentemente, este ônibus já cumpre a sua função de"tanque". Mal sabem os responsáveis desse ônibus que não existe país sem povo e que defender o Brasil prejudicando o seu povo é uma ideia ao mesmo tempo tola e cruel. Mal sabem eles que o país só piora dando oportunidade a fascistas, cuja ideologia arcaica já deveria ter sumido da face da Terra há muitas décadas.

Se as nossas leis fossem justas e rigorosas, o ônibus que aparece na foto estaria circulando nas mãos de outros proprietários, com intenções mais nobres. Por ter estrutura de trio elétrico, quem sabe estaria sendo utilizado para momentos de alegria e não como meio de defesa e divulgação de uma ideologia tão sádica e sanguinária.

É óbvio, mas em tempos contraditórios e absurdos como o nosso é bom dizer isso: publicamos a foto abaixo, como alerta. Não nos responsabilizamos pelo que está escrito em sua lataria e nem pela finalidade dos responsáveis pelo mesmo. O povo brasileiro tem problemas demais para ficar aturando chiliques danosos dos sempre irresponsáveis fascistas.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Mentores da curitibanização do transporte brasileiro governam através de Michel Temer

Apesar de implantada em Curitiba, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e outras cidades ha mais tempo, foi em 2010, quando o prefeito do PMDB Eduardo Paes lançou a padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro que a coqueluche começou.

Era um "novo" sistema de ônibus que segia o modelo curitibano de 40 anos atrás lançado por Jaime Lerner, prefeito biônico da ditadura militar e inventor do obsoleto BRT.

Várias cidades, crentes no estereótipo de suposta modernidade associado ao modelo curitibano, entenderam que uniformizar suas pinturas e colocar os nomes de prefeitura escondendo a identificação de empresas significava "modernizar" o transporte, algo que foi desmentido na pática, com a decadência dos novos sistemas de ônibus.

Os sistemas tem demonstrado uma queda brusca de qualidade que tem irritado os passageiros, além de representar uma verdadeira violação do direito de ir e vir garantido pela Constituição. Constituição que não interessa aos partidários do PMDB e simpatizantes, especialistas em driblar leis, como a iniciativa de Paes colocar empresas em mais de um consórcio e o golpe político que arrancou Dilma Rousseff na marra, sem motivo justo. 

No Rio de Janeiro, estado-mentor do governo irresponsável que se instalou com o golpe, o sistema de ônibus decai a níveis vertiginosos. Não adiantou BRT, ar condicionado e outras frescuras. O bilhete único transformou o passageiro em refém do poder público/privado. A frota se deteriora e reduziu a sua frequência de renovação, aumentando o tempo de vida de uma frota evidentemente sucateada, fato reforçado pela queda de qualidade na fabricação de carrocerias.

Paes mesmo bagunçou o sistema de ônibus. Se não bastasse colocar mais de 50 empresas sob uma única pintura, ele mudou números, itinerários e pontos de muitas linhas, confundindo ainda mais o já confuso passageiro. Engarrafamentos nunca resolvidos (automóvel é prioridade para governantes) conseguem cancelar o direito ao desconto oferecido pelo Bilhete Único, que estranhamente tem prazo de uso bem limitado. Eu mesmo testemunhei pessoas reclamando da perda de direito por causa de engarrafamentos.

É bom mesmo as pessoas compararem as medidas tomadas pelo governo Michel Temer e pelos governos municipal e estadual do Rio de Janeiro: seguem a mesma mentalidade autoritária capaz de tomar decisões sem consulta popular e diante de protestos, recuar apenas em parte, sem qualquer esperança de reparação de danos que seguem aumentando.

Triste ver que uma mentalidade tão mesquinha, capaz de destruir o transporte carioca, além de levar o Rio de Janeiro à falência, chega a esfera federal do poder.

E lembrando que teremos as supérfluas Olimpíadas que poderiam ter sido canceladas, o maior desafio que o Rio de Janeiro terá é superar a sua própria decadência, que contaminará o país inteiro, já que a capital fluminense é a cidade mais influente do país em vários aspectos.

Observando os candidatos a prefeitura do Rio, sabemos que o pior está certamente por vir. Não somente para o Rio, mas para todo o país. Quem viver, chorará.

terça-feira, 8 de março de 2016

Piso baixo da Brasília é totalmente incediado

Um dos cinco únicos carros de piso baixo da Auto Ônibus Brasília foi totalmente incinerado por bandidos que disputavam o domínio do bairro de Engenhoca, um dos mais violentos da cidade. O incêndio provocou falta de luz na área e até o fechamento desta postagem, o bairro continuava seguindo sem luz.

Não se sabe o que a Brasília irá fazer. A empresa, que se encontra em dificuldades financeiras, possuindo a frota mais antiga da cidade e sem renovar a frota municipal desde 2011, terá que satisfazer a uma exigência da prefeitura, que define uma quantidade mínima de 20% da frota com piso baixo. Como o carro foi totalmente incinerado, ele está impossibilitado de ser recuperado.

Esperamos que tudo esteja bem, que a empresa se recupere, que venha um novo piso baixo (mesmo que seja de segunda mão) e mais ainda que esta onda de violência acabe de uma vez. estamos no seculo XXI e não no tempo dos bárbaros.


quinta-feira, 3 de março de 2016

Transportes pioraram quando o Poder Público resolveu administrá-lo

Desde que o Rio de Janeiro decidiu não apenas fiscalizar, mas controlar o transporte, gerando um modismo epidêmico que contagiou todo o país, com o pretexto de "oferecer transporte de qualidade aos turistas que viriam para assistir a copa de futebol", o transporte tem passado por uma séria piora. Nem a exigência de ar condicionado e configurações avançadas serviram para melhorar o sistema, representando mais um consolo do que um item de melhoria.

Na verdade, tudo começou quando os sistemas de transportes começaram a ser administrados pelo poder público. Antes, como sistema de concessão, o poder público se limitava a:

- Criar linhas e itinerários;
- Estabelecer as características das operações das linhas que foram criadas;
- Fiscalizar se as exigências estão sendo cumpridas.

Eram essas as atribuições do poder público. Ao poder privado, cabia controlar as empresas, operar as linhas e oferecer meios para o cumprimento das exigências estabelecidas.

Mas desde 2010 (e há mais de 40 anos começando em Curitiba e adotado em algumas outras cidades brasileiras), os sistemas de transporte passaram para o controle do poder público por meio da criação de consórcios. Oficialmente continua o sistema de concessão, mas na prática se nota que o sistema mudou completamente. 

É uma espécie de "encampação", onde as empresas continuam pertencendo ao poder privado que tem a responsabilidade de sustentar financeiramente os sistemas. As empresas passam a ser reunidas naquilo que se conhece como "consórcios", que na verdade são espécies de empresas públicas que dão a oportunidade do estado poder controlar o transporte.

Falta de competência para administrar transportes

Gestões públicas tem demonstrado em experiências anteriores que não sabe administrar transportes. Era melhor que se limitasse a fiscalizá-lo. E não se trata de administração boa ou ruim: não é responsabilidade do estado administrar sistemas de transporte. O estado já possui atributos demais e tentar administrar o transporte só ajuda a desviar o foco e ocupar tempo.

Os transportes que são controlados pelo estado são caracterizados pela chamada "padronização visual", onde a identidade das empresas é propositadamente negligenciada e as pinturas na verdade servem para identificar as gestões públicas que as administram. Para deixar claro que é o poder público que controla, os nomes das empresas são omitido ou colocados em letra ilegíveis enquanto logos de prefeituras e de nomes de sistemas são colocados em letras gigantes para que as pessoas esqueçam as empresas e recorram ao poder público, o "novo dono" do sistema de transportes.

As empresas públicas sempre acabaram mal gerenciadas. Mesmo com ônibus em configurações mais avançadas, as empresas públicas sofriam com problemas de manutenção e tinham renovação de frota lenta. Suas linhas possuíam carros a menos do que deveriam e a operação deixava a desejar. No fim da existência dessas empresas as dificuldades de administração eram evidentes e várias contraiam dívidas e se estabilizavam em crises intermináveis.

E o poder público, o mesmo que demonstrou incapacidade de controlar as suas empresas, agora quer controlar as empresas dos outros por meio de consórcios. Os empresários, cientes de que não mandam mais em suas empresas, resolveram "sabotar" o sistema, relaxando na manutenção da frota, que a cada dia que passa se torna mais acabada. Se o poder púbico é o novo dono, ele é que faça a manutenção das frotas.

Não sabemos quando isso irá acabar. Surgido em Curitiba há mais de 40 anos, mas vendido para o resto do país como uma novidade futurista, o novo tipo de gestão de transporte tem demonstrado muitas falhas, irritando usuários do país todo. Até porque o poder público desconhece completamente o transporte que opera. 

Pelo menos os donos das empresas operadoras conheciam a rotina de operação dos sistemas, coisa que prefeitos e secretários de transporte, que nunca andam de ônibus, desconhecem completamente.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Políticos da Região Sul escondem identidade das empresas de seus usuários

Os políticos que governam os estados e municípios da Região Sul do país, sobretudo os prefeitos das capitais, no que se diz a transporte, não costumam ser muito democráticos. 

Governando supostamente em nome da população que os elegeu, os prefeitos das capitais sulistas fazem licitações para escolher as empresas operadoras para depois de sair o resultado, proibir a população de conhecê-las, escondendo sob uma farda imposta pelas secretarias de transportes que dá ênfase aos nomes das próprias capitais, uma informação redundante para quem mora nelas.

A intenção, pelo que se subentende é fazer com que o usuário de transporte seja refém das secretarias de transporte e seja obrigado a recorrer a ela - e somente a ela - quando houver necessidade de resolver um problema ou dar uma sugestão.

O problema é que secretarias de transportes sempre foram péssimas em administrar transportes (as fracassadas empresas públicas de transporte tipo a CMTC paulista são uma prova disto). A competência delas deveria ser apena criar linhas, itinerários e fiscalizar as operações das mesmas.

Mas justamente a Região Sul foi pioneira nesse sistema (nasceu em Curitiba, durante a Ditadura Militar, inspirado na forma de operação dos veículos do Exército) que transforma usuários em reféns de autoridades que fazem o que querem com o transporte sem conhecer detalhes de sua operação, planejada com base em joguinhos de computador semelhantes ao GTA nos aparelhos de dentro de confortáveis escritórios. É uma realidade construída virtualmente sem o verdadeiro conhecimento prático, este "privilegio" de quem é obrigado a usar ônibus em seu cotidiano.

Conhecer as empresas operadoras é um direito da população (e por isso são feitas licitações) e a sua identificação deveria ser a mais explícita possível. Quando muito, as empresas são identificadas com logomarcas ou nomes ilegíveis. Apenas as próprias secretarias e entusiastas conhecidos como"busólogos", ambos não-usuários desse tipo de transporte, sabem como identificar as empresas.

Porto Alegre, por exemplo, que estreia nova identidade visual com base nas áreas onde circulam as linhas. Que tal despadronizar a frota e colocar uma pintura diferente para cada empresa? Acredito que conhecendo a empresa será muito mais eficiente para identificar a área onde tal empresa serve do que uma genérica pintura com o redundante nome da cidade. Mas nossas autoridades cada vez mais burras e interesseiras querem impor a sua marca pessoal a ônibus que não pertencem ao patrimônio da gestão pública.

E com isso vai se ensinando errado como se constrói sistemas de transporte, apagando da memória os tempos áureos do bom transporte fazendo com que estes modelos que já nascem fracassados sejam a única regra, eliminando de vez o caráter democrático do transporte público.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O MPL pode ajudar a direita?

Por: Leonardo Mendes - Publicado no Diário do Centro do Mundo

Imagine uma família com seis pessoas, que precise do transporte público municipal para ir à praia. Quanto ela gastaria por mês se quisesse sair da favela nos fins de semana?

A família vive com um salário mínimo e o bolsa-família, num barraco alugado por 500 reais.

O preço da passagem só faz diferença para os mais pobres, e quanto mais pobres, mais diferença faz.

A classe média já anda de táxi e Uber nos fins de semana ou comprou um carro em 300 vezes. A classe alta vive dos juros da compra de carros e do aumento no preço das passagens.

Só então por meio da empatia podem compreender que 20 centavos fazem diferença.

Podem pensar em quantas latinhas um catador sem vale-transporte precisa recolher para pagar a passagem. E talvez passem a defender então que todos tenham o direito ao transporte público quando quiserem, e não apenas quando puderem pagar.

A única proposta do MPL é que a mobilidade dentro das cidades seja um direito gratuito e universal.

Se isso é possível, já sabemos que sim, e que é realidade em algumas cidades do país e do mundo, inclusive metrópoles como Sidney na Austrália. Os que acusam o MPL de ingênuo e utópico precisam saber disso.

Talvez precisem também considerar o quanto somos cercados por supérfluos e ostentações, quando o que está em jogo é uma questão tão básica quanto pegar um ônibus na cidade.

Mas é compreensível que a direita tenha certeza de que o passe livre é absurdo. Mais difícil é entender a posição de esquerdistas que desprezam o MPL.

Acreditam então que o transporte público necessariamente deve ser cobrado? E que esse dinheiro deve gerar lucro para grupos empresariais?

Ok, mas isso é o que a direita também diz.

E como o MPL poderia ajudar a direita nesse caso?

É uma acusação que se repete, não só em relação ao MPL, mas toda vez que setores da esquerda resolvem criticar governos que se apresentam como esquerda.

Estariam assim fornecendo munição para a direita, apesar de suas ideias completamente opostas.

Ou alguém imagina que um militante do MPL vote em partidos de direita?

Talvez a crítica seja somente à violência de black blocs nos protestos, que fariam o chamado cidadão de bem se afastar da esquerda para tirar selfies com a PM e seus pitbulls.

Mas o que incomoda mais parece ser que o MPL lembra aos governistas que se consideram de esquerda, que os governos não tem conseguido ser muito de esquerda.

Que o sistema impede a mudança, ou então que seus líderes não se esforçam o suficiente.

E assim pode lembrar também o que é ser esquerda, fora de negociações, governabilidades e politicagens.

Lembrar que o passe livre é um ideal da esquerda que o MPL não deve abrir mão, por mais que nenhum integrante seja ingênuo o suficiente de acreditar que estejamos próximos disso.

A longo prazo, todos estaremos mortos, mas o MPL fala ao futuro e não pode ser calado. Cedo ou tarde será ouvido.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Limitar tempo de cartões eletrônicos: a deprimente gincana diária do trabalhador

A Constituição garante o direito de ir e vir. Este direito, por ser básico, deveria ser exercido com total plenitude. Mas parece que as prefeituras na sabem disso e encontraram um meio de limitar esse direito, já que o que vale para autoridades é satisfazer os próprios interesses.

Inventaram um troço chamado cartão eletrônico que supostamente daria direito a pegar mais de um ônibus com algum desconto na passagem. Nada a ver com a baldeação gratuita que acontece em Aracaju que considero o ideal, mas desagrada ao poder privado, os que mandam verdadeiramente nos políticos.Além do mais, cartões eletrônicos trazem a ilusão de "progresso" por envolver tecnologia. E tecnologia safada, para atender a máfias e mafiosos.

Os cartões eletrônicos podem tranquilamente serem chamados de cartões-pegadinha. As autoridades, metidas a sérias e responsáveis, resolveram brincar com a a população e impuseram uma espécie de gincana: limitaram o tempo de utilização dos cartões. O limite varia de cidade para cidade, mas sempre há limites. E como numa gincana, há um festival de obstáculos que a população terá que enfrentar se quiser aproveitar da promoção garantida pelo cartão.

Um dos maiores é o engarrafamento. Políticos poderiam lucrar bastante com a colocação de pedágios para estimular o limite de circulação de carros. Mas não podem fazer isso, pois muitos amigos das autoridades (que não usam transportes coletivos) usam o automóvel como meio. Então o legal mesmo é estragar a vida do mais carente. O usuário de transporte público é que tem que se ferrar!

E as autoridades descobriram que manter engarrafamentos é uma boa ideia para limitar ainda mais o uso esses cartões eletrônicos. Já pensou se o usuário de cartão não chega a tempo para usufruir do desconto? Que maravilha! Ela pagará em dinheiro a passagem integral, que é bem cara! Muito salutar para o Capitalismo ver pessoas carentes se sacrificando para sustentar o luxo de confortáveis empresários de transporte, que mandam e desmandam em secretarias de transporte, sempre submissas a donos de empresas.

Os carões ainda trazem outra vantagem: dispensam as prefeituras de melhorar o transporte criando novas rotas que facilitem o deslocamento direto do usuário de transporte. O jeito é criar a baldeação paga (com desconto, mas paga). Se um sujeito quer ir de Niterói para a Barra, por exemplo, ele que se vire e pegue mais de um ônibus (com a desvantagem de pegar o segundo ônibus cheio, sem lugar para se sentar) e perder um valioso tempo em itinerários longos em trechos ultra-engarrafados. 

E BINGO! A promoção do cartão eletrônico e cancelada mais uma vez e o usuário terá que pagar a integral ou se vire para andar a pé por quilômetros, muitas vezes em dias de chuva e em lugares na tao seguros para se andar, correndo o risco de ser assaltado mais uma vez (o primeiro assalto já foi feito, pela secretaria de transporte, com o cancelamento do desconto não registrado, mesmo com o cartão já pago).

E assim seguem os sistemas de transporte pelo país, onde o usuário, convertido em refém de secretarias de transporte, encara todos os dias uma gincana nada alegre para exercer a sua obrigação de trabalhar em troca de um mísero salário que não consegue suprir um mês de transporte. O mesmo transporte que usa para ir ao seu obrigatório trabalho. Círculo vicioso infeliz nada compensado por autoridades e empresários cada vez mais gananciosos, mentirosos e sádicos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Porque prefeituras priorizam interesses privados, se trabalham para o interesse público?

É mais do que sabido que autoridades não andam de ônibus. Mas mesmo assim, são elas que decidem como vão funcionar os sistemas que controlam esse tipo de transporte. E isso acaba deixando evidente a ganância e o egoísmo das autoridades que são eleitas pela população com o intuito de representá-la, mas ao sentar nos confortáveis tronos de ouro, acabam se esquecendo de quem os colocou em seus privilegiados cargos. Trocando em miúdos: autoridades governam para si mesmas e para empresários, ignorando os responsáveis pelos muitos votos que as elegeram.

E é no transporte que vemos os maiores absurdos das gestões políticas. Fingindo governar em prol do povo que os elegeu, os políticos na verdade governam para empresários, pois estes, donos dos meios de produção e possuidores dos maiores recursos financeiros de uma localidade, sempre exercem influência decisiva, chegando a mandar literalmente nos políticos. Reféns dos empresários, a única saída para os políticos é priorizar os donos do poder econômico, pois é deles que virá o sustento financeiro de muitas atividades.

A população paga impostos. Mas o que são impostos diante de rios de dinheiro oferecidos pelo poder privado e pagos em curto prazo? Por isso é muito melhor satisfazer os interesses dos representantes da política privada (empresários de grande porte não fazem outra coisa senão política privada). 

Empresários de transporte são os verdadeiros governantes das gestões municipais. Mesmo que a pintura padronizada e a criação de consórcios tenha limitado os privilégios desse grandes senhores, os donos das empresas ainda gozam de algum prestígio diante de prefeitos e secretários. Estes, passam a falar fino com empresários, enquanto falam grosso com a população que os elegeu.

Isso significa que prefeitos nunca criariam medidas que prejudicassem os interesses dos empresários. Se alguém tem que sofrer para "equilibrar" o sistema, teria que ser a população. Por isso medidas e mais medidas desagradáveis são lançadas para preservar os interesses dos poderosos. Chega-se a criminalizar  toda tentativa de diminuir os lucros dos empresários, mas nunca se criminaliza o abuso destes aos mais humildes. A corda sempre arrebenta para o lado do mais fraco.

Portanto, esqueçam que prefeitos trabalham para a população. Isso é fantasia. os projetos de mobilidade visam pompa e promoção pessoal de gestores públicos e privados e não qualidade de vida. Pouco interessa para os prefeitos se uma pessoa tem que andar quilômetros para ir de sua casa até o transporte mais próximo para o trabalho. Autoridades nunca passam por esta situação (e as que passaram na vida, se esqueceram rapidamente). 

Prefeitos querem mais é ampliar poder e se dar bem com isso, se aliando com os mais fortes (os empresários) e adotando medidas que possam garantir lucros e manter o alto padrão de vida de políticos e de empresários, estes que nunca podem ter seus interesses prejudicados.

O fraco sofre para que o forte possa viver com tranquilidade. Assim foi, assim é, assim será.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Limites de utilização de cartões eletrônicos expõem ganância de políticos e empresários

Os passageiros não sabem, mas ao utilizar cartões eletrônicos se transformaram em reféns de empresas e políticos. Como que uma pegadinha humilhante, o passageiro tem que se virar para utilizar o cartão durante um curtíssimo espaço de tempo para poder aproveitar do desconto que terá na passagem do ônibus. 

Autoridades falam hipocritamente que é um direito do cidadão. Mas a imposição de limites também é a limitação do direito de ir e vir, garantido pela constituição. Logo a limitação de tempo para a utilização de cartões eletrônicos e inconstitucional. Ao não ser que para as autoridades, andar a pé durante horas em uma longuíssima distância seja o exercício digno do direito de ir e vir.

A ganância de empresários e de políticos (que não usam transporte coletivo que oferecem, é bom lembrar e grifar) está bem extrapolada. Serviços como saúde, educação, transporte, segurança e os meios de comunicação, estão todos corrompidos pela ânsia de multiplicar dinheiro. Não o dinheiro necessário para a sobrevivência ou para o pagamento de custos. Mas o dinheiro excessivo que transforma empresários e políticos em super-humanos privilegiados que se acham no direito de viver melhor do que o resto da humanidade.

É esse dinheiro excessivo que é protegido pelas leis que além de limitar a utilização dos cartões, criminaliza a utilização destes por alguém que não seja titular, mesmo que seja um parente. Mas estranhamente ninguém criminaliza os abusos cometidos por empresários e políticos. A função de cobrador vem sido extinta compulsoriamente, demitindo multidões de trabalhadores e ninguém criminaliza essa demissão que prejudica a vida de muitos, chegando a matar alguns.

Os novos sistemas de transporte licitados parecem uma maravilha diante dos holofotes. Mas por de trás das cortinas há muita sujeira podre e muitas más intenções não assumidas que resultam da ganância e do egoísmo, além de sinalizar a falta de responsabilidade humana e a negligenciação do respeito com um direito mínimo que é garantido pela Carta Magna de nossa nação.

Pedimos o fim dos limites de tempo para a utilização de cartões eletrônicos. 24 horas de utilização, todos os dias, incluindo finais de semanas e feriados. O cidadão que paga impostos têm o direito de ir e voltar como quiser e quando quiser, baseando em sua própria decisão e necessidade. Limitar tempo é o mesmo que limitar o direito de ir e vir. As autoridades já recebem uma boa quantia de dinheiro por meio de impostos e os empresários por meio do que já é pago em caríssimas passagens e na confecção e recarregamento dos cartões.

Cancelar o limite de utilização dos cartões é o mínimo que podem fazer como respeito pelo direito de ir e vir, num sistema cada vez mais caro e cada vez pior em qualidade.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A pintura padronizada tem a intenção de esconder empresas

Em 2010, o prefeito Eduardo Paes, sob as orientações de Jaime Lerner, criador do superestimado sistema de Curitiba e prefeito da cidade nos tempos da Ditadura Militar, decidiu impôr, sem qualquer tipo de consulta popular, uma uniformização da pintura dos ônibus, por entender que  identificação das empresas era de interesse exclusivo das Secretarias de Transporte e supérflua para a população, que deveria se conformar com a marca da prefeitura estampada nos ônibus.

Pensando se tratar de "modernidade", vários prefeitos de cidades pelo país todo resolveram copiar a medida, que na verdade é de quarenta anos atrás", impondo a medida de pintar propriedades privadas com estampas que servissem de propaganda pessoal das gestões que as controlam.

O ideal seria que prefeitos criassem suas próprias empresas públicas e colocassem nelas as pinturas que quisessem. Mas empresas públicas, como a CTC e a CMTC, fracassaram nas gestões, representando gastos excessivos. A novidade, legal para as gestões, é usar empresas alheias e brincar de "CTC" impondo a elas características das empresas públicas que não são criadas. O nome dessa medida e "criar consórcios".

Cria-se um edital que na teoria respeita as características das empresas, mas na prática as transformam nas empresas púbicas sonhadas pelas gestões. Secretários de transporte se transformam em empresários de transporte e os donos das empresas licitadas em empregados da prefeitura. Fala-se em sistema de concessão, mas na prática parece uma encampação enrustida.

Há o direito da população de conhecer as empresas que operam, que não e respeitado. A ditadura federal acabou, mas prefeitos, livres de algo que os limite, preferiram criar sua ditaduras municipais, privando a população de opinar sobre o que é bom para as suas cidades.

Curiosamente os sistemas que aderiram a padronização envolvem entre as empresas licitadas, as mesmas que rodavam antes da licitação, o que leva a crer que a padronização de pintura está servindo como forma de esconder uma irregularidade. Feira de Santana, uma das poucas a fazer uma licitação 100% limpa, desistiu da pintura padronizada e permitiu que as empresas pintassem seus ônibus como quisessem, favorecendo a sua identificação.

Sistemas que a pintura padronizada foi adotada, já demonstram estra em decadência, com inúmeros erros, má conservação da frota (há suspeitas de sabotagem por parte de quem não concorda como a padronização visual) e mudanças feitas sem o estudo adequado que só aumentam os transtornos de quem utiliza. E é sempre bom lembrar: autoridades não andam de ônibus. Os problemas não as atingem, o que as faz subestimar as consequências de seus próprios erros.

Continuemos com os transportes piorando cada vez mais. Mas culpemos as prefeituras. Pois é o nome delas que aparecem em letras garrafais nas pinturas dos veículos. Se elas assumem seus nomes nas pinturas deveriam assumir suas responsabilidades na decadência dos sistemas de transporte.